domingo, novembro 07, 2010

Sobre transferência de conhecimento, caças, tv´s e etc.

Nos últimos anos o Brasil entrou de cabeça na chamada "revolução tecnológica". De tv´s a aviões de guerra, o Brasil tenta entrar no restrito círculo dos países exportadores de tecnologia.
Não, não nos interessa ser igual à Índia. Lá, apesar da intensa produção tecnológica, os dividendos de tanta inovação não é compartilhada com a população. Não é preciso ser expert em geografia pra saber que eles exportam chips, e que apesar disso, o povo vive uma miséria de fazer inveja a países africanos.
Nos interessa estar "ombro a ombro" com ingleses, franceses, japoneses e americanos. Nos interessa não só produzir tecnologia, mas entender esta tecnologia, inová-la, e melhorar a sociedade através do aprimoramento educacional que este tipo de investimento sugere.
Vou dar exemplos.
Recentemente todos ouviram falar do programa de atualização tecnológica da Força Aérea. A idéia central é comprar novos caças, e com a compra desses aviões, adquirir tecnologia de ponta em aviônica e tecnologia militar. Absorver esta tecnologia nos permitirá, entre outras coisas, crescer no exclusivo mercado internacional de aeronaves, aumentar o nível acadêmico de nossas instituições de ensino e pesquisa, e é claro, virar potência armamentista.
Sem dúvida a melhor oferta é a sueca, com o caça Gripen. O caça norte-americano F-18A, é mais caro que o Gripen, e mais barato que o Rafale francês. Mas existem pormenores.
O Gripen é mais barato, terá transferência total da tecnologia, não deixa nada a desejar em relação aos concorrentes, e só tem um defeito: não existe na prática. O que existe são protótipos, que rasgam os céus em demonstrações, mas que nunca estiveram em combate. E quando se fala em arma, isso pesa muito...
O Rafale é semelhante ao Gripen em tudo, com uma diferença: ele existe na prática, esteve em combate, e foi adotado por outros países. Um outro ponto a favor, é a semelhança com o sistema de aviônica dos Mirage, adotados pelo Brasil apartir dos anos 70.
O F-18A é superior aos concorrentes. Trata-se de um súper caça, com alto poder de fogo, aviônica de 4º geração, tecnologia stealth (invisível ao radar), e otras cositas más. Só tem um defeito: a versão vendida ao Brasil, não terá aviônica de 4º geração, não terá transferência de tecnologia, e mesmo que venha a ser fabricado no Brasil, só poderá ser vendido com autorização do Congresso Norte-Americano. Isso tem tirado o F-18A da briga.
Só pra ilustrar, nos anos 70 toda a força aérea iraniana era composta por caças F-14. Quando o Xá Reza Palevi foi derrubado pelo Aiatolá Komeine, os EUA cortaram a venda de peças de reposição para o Irã, e como peças de avião não são encontradas na mercearia da esquina, o Irã simplesmente perdeu sua força aérea. Levou alguns anos, até que a URSS fornecesse uma nova frota aérea.
Essa dependência dos humores dos governos estrangeiros é o que vai dar o tom na escolha das novas tecnologias, a serem adotadas no futuro.
A briga pela escolha do padrão de Tv Digital, onde europeus, norte-americanos e japoneses disputaram o mercado brasileiro, teve como vencedor aquele que pôde garantir a total transferência de tecnologia. Venceu o padrão japonês, que deverá dar origem ao um novo padrão: o padrão brasileiro de Tv Digital.
Caso semelhante surge na implantação do plano nacional de banda larga, e transferência de tecnologia tem sido o determinante na hora da escolha.
Isso é bom, e pode melhorar...ainda bem.

Um comentário:

Disraelly disse...

Texto bacana boy!!!

 
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